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Indústria do PR fecha 2009 em ritmo acelerado

Com retração em 10 dos 14 segmentos avaliados, a produção industrial do Paraná sofreu em 2009 sua primeira queda em três anos, recuando 2,1% em relação a 2008. Embora negativo, esse desempenho foi bem superior ao registrado pelo conjunto da indústria brasileira – que despencou 7,4% – e, na comparação com os outros 12 estados pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou atrás apenas dos resultados de Goiás, cuja indústria terminou o ano com variação zero, ou seja, “empatou” com 2008.

Mas, para os paranaenses, os melhores números do relatório publicado ontem foram os relativos ao quarto trimestre do ano, que indicaram forte aceleração da atividade industrial. A produção média dos últimos três meses de 2009 foi 8,8% maior que a do trimestre anterior e 9,7% superior à de igual período de 2008.

O movimento de alta da produção – retomado em outubro, após uma prolongada estagnação no segundo e terceiro trimestres – alcançou seu ápice em dezembro, mês em que as fábricas do estado atingiram o maior nível de produção da série histórica (com ajuste sazonal) do IBGE, iniciada em 1991. Na comparação de novembro, houve alta de 5,9%, a mais forte do país. Em relação a dezembro do ano anterior, quando os estragos da crise já eram evidentes, o crescimento foi de 28,2% – avanço alimentado principalmente pelas indústrias de veículos automotores (+110,1%), edição e impressão (+99,7%) e máquinas e equipamentos (+45%).

Impulsionado pela demanda por livros didáticos, o segmento de edição e impressão (indústria gráfica) foi o destaque do ano, ao crescer quase 80% no acumulado de janeiro a dezembro. As fábricas de veículos e máquinas, por sua vez, só se recuperaram nos últimos meses – e nem isso foi suficiente para impedir quedas acumuladas de 27,3% e 11,1%, respectivamente. Ao lado da indústria madeireira, cuja produção desabou pelo quinto ano consecutivo, elas foram as principais responsáveis pela retração estadual.

Além da indústria gráfica, apenas outros três segmentos cresceram em 2009. A indústria química, que no Paraná é representada principalmente por fabricantes de adubo, se recuperou da forte baixa de 2008 e cresceu 20,5%. A fabricação de bebidas avançou 3,4% e a de minerais não metálicos, liderada pelas cimenteiras da região metropolitana de Curitiba, fechou o ano com expansão de 2,4%.

“De modo geral, os segmentos que atendem mais ao mercado interno se saíram melhor em 2009. Por outro lado, os mais prejudicados foram justamente aqueles ligados ao comércio exterior, que foi abalado pela crise”, diz Fernando de Lima, pesquisador do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

Exemplo dessa discrepância entre os mercados interno e externo é o parque automotivo paranaense, diz o economista Roberto Zürcher, do departamento econômico da Fiep. “Ele foi construído com o objetivo de ser uma plataforma de exportação, destinando boa parte de sua produção ao mercado externo”, lembra Zürcher, referindo-se ao fato de que, habitualmente, 35% da produção das fábricas de veículos da Grande Curitiba era exportada. “Com a queda da demanda internacional, ele foi bastante prejudicado, embora os incentivos fiscais do governo brasileiro tenham impulsionado a produção no fim do ano e evitado uma queda maior.”

Juntas, as fábricas de veículos e máquinas respondem por aproximadamente 18% da produção industrial paranaense. Elas têm representatividade inferior à dos segmentos de alimentos e bebidas (22%) e refino de petróleo e álcool (21%), mas costumam ter papel decisivo no desempenho conjunto da indústria paranaense. Foram as principais responsáveis pela expansão da produção estadual no período 1998-2008, e também as vilãs da última retração anual, em 2006.

Matéria publicada pela Gazeta do Povo em fevereiro do ano passado apontava que, em razão do cenário ruim para veículos e máquinas, havia grande possibilidade de que a indústria paranaense regredisse em 2009, como de fato ocorreu. Se a tendência de protagonismo desses dois segmentos persistir em 2010, é provável que a produção estadual volte a crescer – é o que sugere o movimento de recuperação demonstrado por ambos nos últimos meses.

Ainda que o mercado internacional continue nebuloso, a perspectiva de expansão da economia brasileira tende a dar embalo ao segmento de veículos (que reúne carros, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas). A produção de caminhões, em especial, deve ser beneficiada pelo otimismo do empresariado.

Esse mesmo estado de ânimo pode se refletir na produção de máquinas e equipamentos, que depende muito da disposição das companhias em investir. E, segundo sondagem da Fiep, 88% dos industriais paranaenses têm expectativas favoráveis para 2010 – nível de confiança igual ao exibido no início de 2008, ano que terminou com expansão de quase 9% na produção da indústria estadual.

Também ajuda a expectativa de um ótimo ano para o agronegócio. A estimativa da Expedição Safra RPC é de produção recorde de soja, acima de 13,5 milhões de toneladas, e de uma grande colheita de milho, calculada em 7 milhões de toneladas, a segunda maior da história. “As previsões para o agronegócio são boas, e quando ele vai bem, a indústria do Paraná costuma ir junto”, diz o economista Roberto Zürcher, da Fiep. No ano passado, a queda de 25% na safra de soja e milho esteve entre os culpados pela queda na produção de caminhões, tratores e colheitadeiras e também pela retração da fabricação de alimentos, que caiu 4,5%, segundo o IBGE.

 

Fonte: Gazeta do Povo

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